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Cientista alerta para degradação de Alcatrazes, um ano após incêndio

São Sebastião - Um ano após ser atingida por um incêndio, uma área de cerca de 20 hectares do Saco do Funil, no Arquipélago de Alcatrazes, em São Sebastião, permanece degradada. A constatação foi feita por pesquisadores que visitaram o arquipélago na semana passada. O incêndio ocorreu entre 30 de novembro e 3 de dezembro de 2004. O fogo teria sido provocado por bombas disparadas por navios da Marinha durante exercícios de tiros no Saco do Funil. O incêndio só foi controlado por uma força-tarefa da Marinha e do Ibama. Um grupo de 18 pesquisadores da Sociedade em Defesa do Litoral Brasileiro esteve no arquipélago. A entidade defende o fim dos exercícios de tiros em Alcatrazes po sua importância ambiental e científica. Segundo o biólogo Fausto Pires de Campos, o capim ocupa o espaço da vegetação nativa destruída pelo fogo. Campos afirmou que é preciso desenvolver projetos ambientais para recuperar a área. Segundo ele, uma das propostas seria o replantio da vegetação original, transportando mudas das áreas ainda preservadas para o local. Ele afirmou que a entidade tem vários projetos e estaria disposta a captar recursos para viabilizá-los, mas isso dependeria de autorização do Ibama e da Marinha. Segundo Campos, se nenhum projeto for desenvolvido no local, o meio ambiente degradado pelo fogo levará 500 anos para ser recuperado.
O grupo também fez pesquisas submarinas no parcel do Alagado. "Vimos debaixo d'água várias bombas lançadas pelos navios, num local onde vivem pepinos e estrelas do mar ameaçadas de extinção", disse.
PESQUISA - Alcatrazes é considerado um santuário ecológico devido à diversidade de espécies no local, que é ponto de pesquisas científicas. O arquipélago fica a 40 quilômetros de São Sebastião e é formado por cinco ilhas, ilhotes e parcéis. A ilha principal pertencente à União, foi entregue à Marinha em 1982 para exercícios de tiros. O restante foi transformado na Estação Ecológica Tupinambás, administrada pelo Ibama. Entre os pesquisadores estava a professora Lúcia Rossi, responsável pelo herbário do Instituto Botânico e o professor Carlos Campaner, especialista em insetos do Museu de Zoologia.
(Fonte: ValeParaibano)